Para Georgina Gárz
Recebi uma encomenda estranha na semana passada. Era uma caixa de madeira com símbolos entalhados por toda a superfície. Dentro, encontrei uma pedra branca coberta por aqueles mesmos hieróglifos que me lembravam os de Ubbah, a "bela" crença em Bhiah. Ultimamente, porém, tenho começado a questionar algumas coisas.
Não havia bilhete, remetente ou qualquer explicação. Só a caixa, deixada à minha porta.
Certo dia, enquanto rezava sentada sobre as Bïjirs, aquelas tábuas de marfim, vi a pedra piscar lentamente, como luzes de Natal. Fiquei tão feliz que comecei a rezar ainda mais. Mas, pouco a pouco, o brilho desapareceu, até que a pedra ficou acinzentada, como qualquer outra pedra.
Desde então, sinto que há algo de errado nela. Algo profano.
Já estou velha, mas sei reconhecer quando há algo errado.
Hoje, olhei para a pedra novamente e percebi que os símbolos pareciam diferentes, mais tortos, quase erráticos. Não tenho certeza se já estavam ali antes, mas havia uma frase que eu nunca tinha visto:
"Bhiah não criou a luz. Ele apenas abriu os olhos daquilo que deveria permanecer cego."
Li aquilo várias vezes. Tentei rezar, mas não adiantou. Pela primeira vez, fiquei com medo de que Bhiah realmente estivesse me ouvindo.
E, se aquelas palavras fossem verdadeiras, então o que mais nos esconderam?
De Emília Horps
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