— Vai!! - exclamou um alemão, empurrando um dos judeus, que caíra de cansaço.
— Eu estou faminto por favor...
— Cale a boca, vinte e sete.
O homem se levantou e continuou a seguir a fila para as minas.
— Desculpe...
Victor sentiu o cheiro de urina, mofo nas paredes e terra molhada com uma mistura de sangue e água. Isso o fez golfar no chão.
— Você está bem? — perguntou seu irmão, ao lado.
— Sim, acho que vou me afastar um pouco. É rápido.
Victor caminhou rapidamente para um monte de árvores e expeliu todo o líquido que estava preso em sua garganta. O gosto era cítrico e horrível, deixando sua garganta fechar por alguns segundos. Ele cuspiu no chão e suspirou, exausto e frustrado por ajudar alemães a matar inocentes.
Havia um cheiro pútrido que pairava todo o campo de concentração, mas era comum, pois tinha cadáveres por toda a construção.
— Espero que isso apenas acabe...
Victor pegou um cigarro e o acendeu. Ele ficou recostado na áspera casca de uma das árvores.
Os berros alheios ecoavam por toda Valsicz, estremecendo outros judeus e poucos soldados cujo coração ainda existia no peito.
— Droga... Por que isso existe? Por que essa guerra começou?
Victor soprou a fumaça para cima, vendo-a subir irregularmente para as folhas. Ele sentiu um pouco de paz. uma paz que não durou tanto.
Ele bateu a cabeça na árvore em que recostara. A dor veio rápida e passou tão rapidamente quanto apareceu. Uma lasca de madeira caiu e emitiu um som seco e curto ao colidir com a espessa lama. Victor passou a mão na nuca e se levantou, murmurando xingamentos.
— Minha cabeça, idiota. Meu Deus, sou muito...
Sua garganta fechou e seus olhos travaram-se na árvore. Um arrepio gélido escorreu de seus pés ao seu cabelo. A imagem o atingiu como uma bala em seu coração. Havia o pútrido esqueleto de uma pessoa com roupa listrada dentro daquela árvore. O crânio tinha um buraco circular de tiro, bem no lobo frontal.
— Mas que porra é essa?
Victor cambaleou para trás, caindo na lama. Terra molhada foi jogada em seu corpo, encharcando-o. Victor cuspiu seu cigarro e se levantou, assustado, pois sabia que aquele corpo não era o único cercado por carvalho.
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