Bird Box – Crítica (Caixa de Pássaros)

By on 24 de dezembro de 2018

Após todo um hype gerado em cima da nova produção Netflix, Bird box (ou Caixa de Pássaros) chegou nos últimos dias ao catálogo e conta com Sandra Bullock como atriz principal, interpretando Malorie e foi dirigido por Susanne Bior, que já ganhou um Oscar e Emmy recentemente, porém não com filmes do gênero.

A trama se inicia com uma incógnita, a mãe preocupada realizará uma viagem longa com os dois filhos pequenos em um imenso rio para chegar a um local seguro, mas algo não é comum: todos tem de usar vendas nos olhos, o que será que eles não devem ver? Do que fogem?

Logo as coisas vão sendo explicadas em uma série de voltas no tempo, ela é uma artista grávida que vive sozinha isolada de outros, aparenta odiar e não querer a tecnologia a sua volta, apenas recebendo visitas da irmã, e parece incomodada com a gravidez, ela parece querer continuar sozinha vivendo com sua arte.

Um surto de uma doença ainda não explicada acontece na Rússia, onde as pessoas se tornam psicóticas sem motivo aparente, ela teme que isso chega aos Estados Unidos, e é exatamente o que acontece. O que se assemelha a um apocalipse acontece rapidamente, uma onda de suicídios em massa causadas por uma força ou entidade misteriosa, depois de aceitar ir pra cidade para chegar ao hospital, Malorie consegue se abrigar em uma casa de um desconhecido, onde todos estão em pânico por não saber o que há por vir.
O caos é mostrado e explicado de forma bem rápida, o que o torna menos assustador e angustiante do que deveria ser, mais cenas que ocorrem durante o apocalipse poderiam ser adicionadas e daria um ar bem melhor a essa transição do filme.

Boa parte do filme se passa 5 anos antes do que vemos, nos dias que se sucederam o “fim do mundo”, as cenas sempre vão se intercalando entre passado e presente, duas linhas temporais distintas, pra quem não entendeu o longa se prende a emoções de personagens, descartáveis e principais enquanto eles se abrigam pra longe do perigo, são eles; grávidas, namorados, pais, solitários, novos, velhos.

A personagem com vendas nos faz lembrar do recente e famoso longa Um Lugar Silencioso, enquanto aqui usamos vendas para tapar os olhos, lá devemos ficar em silêncio, privar o personagem de um dos seus sentidos funcionou no filme, se mantém um suspense graças a uma boa produção e adaptação do roteiro do livro homônimo de Josh Malermam. Conta com atuações muito boas e um elenco de peso, conta com um clima claustrofóbico e uma aula de como se desenvolver personagens, Malorie que de uma mulher solitária passa a se tornar cheia de compaixão graças a maternidade.

Em um ponto alto do filme um lunático invade a casa onde estão a brigados e apresenta a todos a luz do dia, que todos tentavam fugir e apresenta uma boa máxima “ignorar seus problemas não os fará ir embora”, o que os leva refletir sobre as formas de sobrevivência.

É um bom suspense que trata de conceitos interessantes porém que não foram aprofundados o necessário, mas nos mostra a capacidade de se preocupar com os outros e amar em um situação tão complicada. E também mostra como fugir dos problemas, assim como a super proteção podem ser a solução mais difícil. No fim do filme, após uma grande confusão e tensão, Malorie e os dois filhos chegam ao local seguro que buscavam, quando chegam e tiram a venda eles veem que se trata de um lar de cegos, nós é mostrado que a escolha pela cegueira foi o maior erro, já que vários estão sofrendo com isso sem ter o direito de escolha, e abrir a mão de enxergar o mundo como é não faz sentido, além de uma referência implícita a caverna de Platão e a escolha por não enxergar o mundo real.

O ‘monstro’ do qual estão fugindo na verdade é invisível, não podemos o ver assim como os personagens não o veem, se trata apenas dos nossos demônios interiores, temos que lutar com eles e não apenas fingir que não existe, em um mundo que apenas cegos e loucos convivem normalmente.
Do que temos medo de verdade? Será que vale a pena mesmo fugir quando podemos o enfrentar? Esses são questionamentos apontados no fim.

  • História e roteiro
  • Qualidade técnica
  • Direção
  • Desempenho do Elenco
  • Fidelidade ao livro
4.1

Resumo

Um bom suspense com um clima claustrofóbico.
Poderia haver melhores decisões e menos tempo desperdiçado para coisas que não foram relevantes, porém trás uma boa reflexão e clima. Boa surpresa no final do ano

Data de lançamento 21 de dezembro de 2018 na Netflix (1h 57min)
Direção: Susanne Bier
País de Origem: EUA

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