Lady Kellen – CreepypastaBr – Shadow Author #15

Lady Kellen - Clã do Terror

By on 17 de setembro de 2017

 — Querido, cheguei! — Gritou Anna da porta de casa.

  Ela acabara de chegar da faculdade, era um dia de chuva forte seguida por uma feroz ventania, as previsões meteorológicas já afirmaram os dias que as chuvas chegariam, porém Anna não acreditou que isso realmente ocorresse – não tão forte assim. Tirou seus sapatos ensopados de lama e os segurou com sua mão esquerda, enquanto com a sua outra mão retirava suas meias molhadas.

  — Anna! Está tudo bem?! — Perguntou seu marido, Andrew, preocupado.

  Ele chegara de mãos abertas para abraçar-la.

  — Sim, eu estou, afinal é só uma pequena tempestade.

  — Pequena é? — Diz ele a abraçando. — Como você está…

  — Não! Eu estou toda molhada. — Diz ela o impedindo.

  — O que aconteceu com o guarda-chuva? — Ele recuou.

  — Alguém o levou. — Ela olhou para ele com um olhar de acusação, sabia que ele havia esquecido de levar o guarda-chuva para ela.

  — Não sabia que ele ainda estava no carro.

  — Você é um idiota.

  Eles dois riram; Andrew a beijou.

  — Larry, sua mãe chegou! — Ele gritou.

  Larry era seu filho de seis anos. Ele, aparentemente, ouvira seu pai gritar de seu quarto no andar de cima. Normalmente, ele não ia atender-lo tão rápido, mas quando ouviu a palavra ‘mãe’, largou tudo o que estava fazendo e correu pelas escadas passando pelos corredores até chegar onde ela estava.

  No caminho encontrou-se com seu pai.

  — Onde ela está, papai? — Ele perguntou.

  — Ali, mas ela está…

  O garoto não ficou para ouvir-lo; correu para a porta com toda a pressa do mundo.

  — Mamãe! — Exclamou.

  O garoto explodiu de alegria, era possível ver toda sua energia se formando em um grande sorriso sobre seu rosto.

  — Oi, Larry! Mas não…

  Tarde de mais. Ele a abraçou, Anna tentou desprender-lo dela. Mas após receber um pequeno puxão, o garoto parecia entender o que ela estava fazendo (ou o que estava acontecendo – mas não totalmente.

  Ele se afastou.

  — Que foi mamãe? — Ele perguntou.

  — Olha o que a chuva fez comigo. Tomei um banho, praticamente.

  — Hm…

  Anna deu um longo sorriso para ele.

  — Quando eu tomar meu banho, podemos ver desenho juntos, o que acha?

  — Certo! — Ele subiu as escadas voltando para seu quarto.

  Anna andou até o seu próprio quarto, parecia tonta e também era como se sua perna direita manca-se por conta própria, enquanto deixava pingos d’água cairem do seu corpo na casa. A visão dela, também, estava um pouco embaçada e sua cabeça doía. Ela pegou um resfriado? Era muito que provável, mas com esses sintomas eu duvidaria muito.

  Para voltar para sua casa Anna precisaria, primeiro, pegar um ônibus no terminal, um desses ônibus infelizmente não levara para seu destino exato, com isso, ela teria que ir andando até em casa. Causa que a deixou molhada pela chuva durante a caminhada.

  — Andrew? — Ela o chamou.

  Ela andou até o quarto e o viu mexendo no celular com sua típica roupa branca que ele sempre usa em casa. Ele olhou para ela é perguntou:

  — Problemas?

  — Minha cabeça dói…

  — Ah, não! O que que há? — Diz ele se levantando, pôs a mão em sua cabeça e mediu a febre; muito mal, ela estava muito quente. — Me desculpe mesmo…

  Ela o olhou com dúvidas.

  — Mas você não fez nada.

  — A deixei sem o guarda-chuva na tempestade, além de febre, você pode pegar um resfriado. Como eu sou idiota.

  — Eu estou bem, é só febre.

  — Só febre?… — Ele vasculhou as gavetas, procurava o termômetro, ele o encontrou bem rápido. — Vamos medir-la então.

  Enquanto isso do lado de fora, a chuva só piorava, o ranger do vento era ouvido de dentro das casas, e o mesmo levava com ele os lixos jogados nas ruas pelos ares. Porém, é em tempestades como essa que um mal maior circulará, e Larry sabia muito bem disso.

  Em seu quarto, o garoto observara tudo isso ocorrer, a chuva e a presença do mal. O mal cujo ele acreditava existir, o mal no qual acreditara fluir das trevas. Que bobeira! Ele é apenas uma criança, tem um hábito de acreditar nesse tipos de coisas, porém, nesta noite, não era só ele que sentira algo ruim ocorrer; não, não era só ele.

• •⊰ 👁 ⊱• •

ll

  Noite de tempestade, fortes ventos e a escuridão que as nuvens cinzentas faziam, fez com que Anna pensa-se que não estaria segura — não fora de casa.

  Ela acabara de sair da faculdade, muitos dos alunos pegavam o ônibus no terminal lá perto, ela não, ela pegava sempre o do ponto da pequena praça local, esse mesmo ônibus levara direto para sua casa, sem ter que pegar o outro que dava uma volta inteira no bairro, ou aquele que pararia em outro ponto se desviando demais de seu destino, tendo ela que pegar outro ônibus para chegar até em casa.

  Mas esse do ponto da praça seguia reto, ia para o seu destino; sua amada e confortável casa. Por esse motivo ela acabou que ficando sozinha na praça, sentada em um banco vermelho – quase que bem antigo – ouvindo as grossas gotas da chuva caindo ao seu redor e a solidão a acompanhando.

  De vez em quando ela olhara de um lado para o outro, apreensiva a qualquer coisa que pudesse aparecer repentinamente. Tinha medo de ficar sozinha à noite, sempre teve. Esse medo piorava com a chuva, que fazia com que Anna ouvisse passos fantasmas vindos do além, que eram emitidos por todos os lados.

  Então, da escuridão saiu uma figura humana. Anna esperava ser apenas uma de suas alucinações originadas pelo medo, porém não era. Mas era incrível ter alguém no parque nesta noite, totalmente incrível, Anna também não acreditava nessa possibilidade. Mas do que adiantaria? Comcerteza era apenas alguém desesperado para voltar para sua casa, ou uma pessoa que estivesse passeando no parque quando foi, surpreendentemente, pega pela chuva. Ou, talvez, alguém que também pegaria um ônibus junto a ela. Anna esperava ser a última alternativa, pois assim teria com quem conversar e não estaria sozinha, porque, de algum modo totalmente estranho: ela sentia uma presença estranha.

  A figura se aproximou.

  Era uma bela mulher de cabelos presos e lisos; segurava uma bengala de madeira em sua mão direita; usava um guarda-chuva cor-de-vinho com detalhes dourados (tanto na cobertura tanto na alça do mesmo); obtinha óculos escuros; usara um longo vestido vermelho sendo segurado por um cinto amarelado e, por fim, usava brincos – aparentemente caros – e colares de pérolas brilhantes que eram como estrelas penduradas em seu pescoço.

  Uma nobre? Talvez. Cega? Só podia ser, porque alguém usar óculos escuros em uma noite escura como esta, não poderia haver outro motivo. Mas Anna conseguia saber disso pela bengala.

  Anna apenas a observou se aproximar; a moça se sentou junto a ela, ao seu lado. Um silêncio permaneceu por uns segundos entre as duas, enquanto a moça remexia em sua pequena bolsa. Longos segundos depois, a bela mulher e Anna viraram suas cabeças uma para a outra no mesmo istante, ambas queriam dizer algo.

  — Ah, oi! — Cumprimentou Anna.

  — Oi! — Disse a moça, afastando seu cabelo; obtinha uma voz leve e delicada. — Está esperando um ônibus?

  — Na verdade, sim. E você?

  — Também iria, se eles estivessem funcionando.

  — Como assim?

  — Não sabia? Os ônibus, que passam por esse ponto e por essa rota, pararam por causa do feriado.

  — Feriado? Que feriado?

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  — É dia das mães, não sabia?

  — Bem… — Anna desviou os olhares para o chão. — Eu não sabia… Só os desta rota?!

  Anna pensava em ir para o terminal, lá, pelo menos, pegaria um ônibus, por mais demorado ou cansativo que podesse ser.

  — Quando eu falo desta rota, me refiro a todo esse bairro. — Respondeu a moça.

  — Ah, não!

  — Não tem ninguém que você conheça que tenha um carro?…

  — Espera, tenho sim… — Ela pegou seu celular de seu bolso, olhou para ele e disse. — Mas eu não tenho créditos.

  — Não tem problema, há uma farmácia aberta vinte e quatro horas aqui perto, podemos ir até ela dá uma carregada. O que acha?

  — Estou sem grana…

  — Então como pegaria um ônibus sem nenhum dinheiro?

  Anna retirou de seu outro bolso sua carteira, e dela retirou um cartão, era uma passagem para estudantes.

  — Um cartão de passagem? Ah, bem… Não se preocupe. — Dizia a moça, ela retirou sua carteira de sua bolsa cujo carregava nos ombros, e de lá retirou dez reais. — Aqui para você.

  — Ah… Não, eu não posso deixar que faça isso por mim… Sério mesmo.

  — Ah, o que-que há? Vai, pega para você, tem mais se onde veio este.

  Ela não podia ser rica, apenas tinha dinheiro, pelo menos isso é que Anna pensava quando pegava da mão da moça a nota de dez.

  — O-obrigada! — Agradeceu Anna.

  — Sem problemas. — A moça sorriu.

  Anna se levantou junto a moça. Ela arrumou seu vestido e disse:

  — Anna Brakes.

  — Lady Kellen. — Disse a mulher.

  — Nome bonito!

  — Hihihi, você acha? Obrigada! Então, vamos.

  — Eu não tenho…

  — Eu tenho! — Kellen retirou de sua bolsa um mini-guarda-chuva. A chuva a molhará Anna do mesmo jeito, mas bem menos.

  — Muito obrigada, por tudo!

  — Não tem de quer, meu bem! Gosto de ajudar as pessoas.

  Então, Anna e Kellen, seguiram a caminho da farmácia. Viram-a brilhando contra a escuridão, estava vazia, completamente. Elas entraram foram até o balcão e Anna pediu para que o funcionário recarrega-se seu celular; foi o que fez. O funcionário pegou o aparelho e pediu para que ela colocasse a número.

  Anna já conhecera esse rapaz a muito tempo, antes dele trabalhar nessa farmácia ele ajudava seu pai que era mecânico. O carro de Andrew começou a dar uns problemas estranhos no motor nesses últimos dias, então sempre quando o carro falhara, Andrew sempre podia contar com ele para arrumar. Foi assim que se conheceram. O rapaz agora conseguiu um emprego como caixa neste local.

  Por isso, Anna passou a maior parte do tempo conversando com ele, perguntando sobre sua família e tal. O rapaz disse que quase nada ia bem para ele, seu pai se entregou ao álcool, por isso ele fechava a oficina dele bem cedo, para que assim, ele possa ir se divertir no bar. Chegava em casa bêbado e maltratava todo o mundo, reclamando que não tinha dinheiro ou que não havia comida na mesa.

  Disse também que não sabia mais o porquê trabalhar, sendo que, quando ele ganhava seu dinheiro, gastava rapidamente comprando comida para ele e sua mãe. Anna tentava o convencer que tudo iria mudar e bem ficaria depois.

  Após isso, Anna olhou para Kellen, que estava atrás dela, Anna poderia jurar que ela a observara este tempo todo. Pelo óculos ela parecia cega, mas Anna sentia Kellen a olhar dentro de sua alma.

  — Para que usa o…? — Anna perguntava, apontando para o óculos da moça.

  — O óculos? Dá para acreditar que sou cega?

  — Sério? Eu sinto muito…

  — Não precisa sentir, não foi culpa sua…

  — Hm… Tudo bem.

  — Aqui senhora. Tudo certo. E muito obrigado! — Disse o funcionário.

  — Obrigada você! — Ela agradeceu.

  Enquanto Anna ia caminhando para a saída, Kellen ficou parada observando o funcionário que, no mesmo momento, encarou-a também enquanto arrumava os cosméticos enbaralhados sobre a estante. Kellen retirou seus óculos, o funcionário ficou espantado; pálido e por fim, levantou seu olhar tão para cima que, seus olhos, ficaram brancos. Então desmaiou.

  — Vamos, Lady… — Anna olhou para ela no mesmo tempo em que a mesma pôs os óculos de volta.

  — Sim! Vamos! — Ela se virou para Anna e sorriu alegremente.

  Então, voltando para o banco da praça, Anna realizou a ligação.

• •⊰ 👁 ⊱• •

lll

  Anna estava na cama doente e com febre alta. Seu marido mediu a temperatura e viu que dera quase acima de trinta e nove graus.

  — Você está muito mal… Droga. — Disse Andrew.

  — Mãe! — Gritava Larry de seu quarto.

  — Sua mãe não está muito bem agora! — Respondeu Andrew.

  — Querido… Vá atendê-lo por mim… Por favor. — Pediu Anna.

  Ele a olhou por um tempo, ia falar que Larry resolvia o que quer que seja sozinho. Mas decidiu fazer o que sua esposa lhe dissera.

  Afinal, Andrew se preocupava com sua esposa, mas ainda mais com seu filho (principalmente nestes tempos que Larry acreditara em monstros e que a escuridão os guardava).

  — Sim… Tudo bem.

  Ele subiu as escadas.

  — O que foi, Larry?! — Gritou perto já do quarto do garoto.

  Ele abriu a porta e entrou, Larry estava lendo seu novo livro que sua avó lhe deu de presente na Páscoa. Um livro infantil de capa grossa com desenhos super-coloridos.

  — Larry?

  — Mamãe disse que viria ver desenho comigo.

  — Ela está muito mal… Está dodói. Você pode descer para abraça-la na cama se você…

  — Mas eu queria contar para ela uma história!

  — Uh! Uma história? E qual seria? É essa daí do livro? — Andrew disse em um tom animador.

  — Não. Meu amigo me contou!

  — Sério? Qual deles?

  — Caio.

  — Ah… Esse…

  Caio era amigo de Larry, que morreu meses atrás, ele antes, perdera sua mãe em um acidente e ficou por conta de seu pai, a tristeza dominava o garoto, e um dia ele se perdeu de seu pai. Caio foi encontrado com o corpo todo molhado caído em uma das praças da cidade; estava morto, nunca souberam o que houve com o garoto.

  — Pode me contar? Então, daí, papai conta para sua mãe.

  — Então lá vai!

  Larry se ajeitou e sentou-se confortavelmente no tapete felpudo de seu quarto.

  — Era uma vez… — Ele contava. — Uma linda mulher, tão linda que nada desse mundo a comprava com sua beleza, isso é que todos pensavam. Quando criança, seus pais lhe passaram um incrível poder, que era ativado pelo seu olho esquerdo; um olho branco; sem cor. Então, essa mulher passou a colecionar almas.

  — Almas, filho? — Ele disse espantado.

  — Então, ela saia nas ruas em busca dessas almas. Porém, a colecionadora apenas saia em noites de fortes tempestades e chuvas, em busca de alguém que ainda estara lá fora. Ela que nesses tempos chuvosos espalha a sensação do medo, e que há alguém o observando…

  — Filho, essa história já está…

  — A mulher projetava almas pelo olho, e isso acomtecia quando ela já tinha uma em sua coleção. As munipulava e usava-as para seu bem maior. Mas uma de suas almas cujo ela almejava recusou ser morta, com isso ele empurrou-a para rua, fazendo com que um caminhão a mata-se. Esse seria o fim, o fim da linda moça que colecionava almas, o fim de uma lenda…

  — Filho…

  — Porém. O mal nunca morre tão cedo, ele renase para continuar suas atrocidades. Foi isso que aconteceu com ela… Por isso ela ainda vaga pelas ruas, nos tempos chuvosos, indo em busca de sua próxima coleção.

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  — Me escuta…

  — A colecionadora pegará sua alma…

  — Do que está falando? Larry!

  — A colecionadora pegará sua alma!

  Andrew ficou sem palavras. Não sabia que seu filho ouvira tantas baboseiras sobre monstros ou criaturas malignas. Isso era assustador, uma criança como ele não deveria ouvir esse tipo de coisa, pelo que Andrew saiba.

  — Hahaha! — Sua risada, a de Andrew, era apática e irônica. — Bela história para me assustar, mas…

  Ele chegou mais perto de Larry e disse:

  — Filho, não quero que conte mais esse tipo de história…

  — Mas por quê? — Ele Perguntou como um ar triste.

  — Não é para sua idade, só quando você for bem grandinho! Está bem?

  — Mas vai demorar para eu crescer?

  — Espero que sim. — Ele riu, por outro lado Larry não achou tanta graça.

  Andrew saiu do quarto falando que talvez ele iria para o médico com a sua mãe. Foi aí que, quando Andrew estava no quarto de Anna, o telefone começou a tocar.

  — Papai esqueceu a celular aqui. — Murmurou Larry.

  Esse era Andrew, um cara esquecido, mas não desleixado, praticamente só conseguia lembrar-se de coisas importantes ou, como ele dizia, coisas que ele se acostumara a fazer. Não era o caso do celular.

  Larry o pegou e o atendeu.

  — Alô! Filhinho! — Era a voz da mãe. A voz de Anna.

  — Mãe! Está tão doente assim? Por que não me chamou? Eu iria para aí…

  — O quê? Como assim?… Olha, fala para o seu pai que eu estou aqui na praça perto da minha faculdade, fala para ele vim me buscar.

  — Mãe… Você está aqui!

  — O quê?

  — Sim, você está aqui, na nossa casa, doente e passando muito mal.

  — Filho, ouça com atenção, eu não estou aí… Seu pai está aí?

  — Ele… Está.

  — Ótimo. Não sei o que está acontecendo com você, mas fala para ele vim… Me… Buscar. Entendeu?

  — Sim…

  — Ok, até breve, Larry!

  — Até mais mãe!

  Ele desligou o celular, correu pelas escadas e foi até o quarto de sua mãe.

  — Papai! Papai! Seu celular tocou!

   — Quem era?

  — Oi, Larry… — Disse sua mãe deitada na cama, com uma voz baixa e rouca.

  — Mãe…? — Interrogou Larry.

  — Quem era filho? — Perguntou Andrew.

  — Era a mamãe.

  — Mamãe?! Como assim ela está aqui.

  — Eu sei, mas… Era ela, ela disse para você ir buscá-la na praça perto da faculdade dela.

  — Olha, filho, não faço a mínima ideia do que você esteja falando, mas… A sua mãe está aqui, e você pode ver muito bem isso!

  — Filho… Está tudo bem? — Perguntou Anna.

  — Sim, está. — Andrew respondeu. — E eu e sua mãe vamos ao hospital, e você, rapaizinho, vai ficar com sua avó.

  — Certo… Mas, por favor, vá buscá-la…

  — Larry!

  O garoto saiu do quarto e foi arrumar sua mochila.

  — Dá para acreditar nisso? O garoto chega com uma história de “mulher que rouba almas”, depois vem com a história de que tem duas de você! Agora vai vim o quê? Um homem como uma cabeça de rato que sai por aí matando todo mundo? Há, pelo amor de Deus! — Reclamou Andrew.

  — Ele é só uma criança, amor. É uma fase, quando ele crescer tudo isso terá acabado. — Disse Anna calmamente.

  — Estou com medo do presente, o futuro não existe, devemos nos preocupar com o agora. E eu estou muito preocupado com ele, agora.

  — Sim… Certo. Vamos para o médico, por favor.

  Andrew levou Anna e Larry para o carro, Larry ficou na casa da avó enquanto Anna e Andrew iam direto para o médico.

  Antes disso eles foram para a oficina de Kiyle, — o pai do funcionário da farmácia — para que ele possa dar uma olhada no carro antes deles seguirem a estrada.

  Ele não estava e a oficina estava fechada.

  — Fechada uma hora destas? — Ele reclamou passando direto e seguindo o destino para o médico.

  — Ah, não. Eu esqueci meu celular na faculdade. Pode parar lá para eu ir buscá-lo?

  — Nem pensar… — Uma pausa se prolongou. — Eu vou buscá-lo.

  Anna sorriu, Andrew pode jurar que esse sorriso era diferente dos demais, um sorriso que não parecia ser de agradecimento, mas sim de: “obrigado, era isso mesmo que eu queria”.

• •⊰ 👁 ⊱• •

IV

  Kellen e Anna se sentaram novamente no banco da praça; o ponto de ônibus. E lá ficaram conversando, esperando Andrew vir buscá-la. Anna se sentia segura agora com alguém ao seu lado.

  —… E qual é seu passatempo? — Ela perguntou a Kellen.

  — Eu coleciono algumas coisas… — Respondeu Lady.

  — Que legal! Coleciona o quê?

  O silêncio reinou por alguns segundos (eu diria uns cinco), Anna pensava em perguntar novamente, até que:

  — Você não vai querer saber… — Informou Kellen.

  — Por que não?

  Ela permaneceu quieta, Anna compreendeu que ela não estava afim de falar.

  De repente, gritos desesperadores de ajuda surgiram do além, eles ecoavam na chuva. Anna se atentou aos pedidos e se apavorou.

  — Que foi? — Kellen Perguntou.

  — Está ouvindo?

  Kellen olhou de um lado para o outro, parecia não ouvir nada.

  — Gritos… — Sussurro Anna.

  — De onde vêm?

  — De lá. — Anna apontou para uma estrada de terra que passava pela praça, ela terminara do outro lado na borda da praça; ligando as calçadas. Era uma praça cheia de entradas/saídas. — São gritos de ajuda.

  — Eu vou dar uma olhada. Você pode ficar aqui sozinha por um tempo?

  — Claro.

  Kellen seguiu o caminho, em busca da pessoa que gritava por ajuda.

• •⊰ 👁 ⊱• •

V

  — Está acordada amor? — Perguntou Andrew.

  — Sim, eu estou… Parece que eu estou melhorando…

  — Ainda assim precisamos ir ao médico, fica confortável aí, tá?

  — Sim… Ok.

  Andrew prometeu a ele mesmo que esta foi a última burrice que cometera durante anos, não queria que isso se repita, não com ela.

  Enquanto matinha seus olhos focados na estrada, de vez enquanto (ou quase sempre) olhava para ela para ver como estava. Certa hora ela perguntara porquê ele tanto olha ela, ele responderá que está preocupado.

  Minutos depois ele disse:

  — Eu sei que não é um assunto bom para esse momento, mas… Larry disse que foi o amigo dele que contou a história…

  — Que história?… — Ela diz meio que inconscientemente, mas logo se tocou o que Andrew falara. — Ah, tá… A colecionadora de almas, não é?

  — Sim… Mas, o problema foi que ele disse isso só hoje. E você sabe que ele nunca espera para contar algo, principalmente uma história… Sabe o que isso significa?

  — Que ele viu o fantasminha do seu amiguinho? E ele o contou a história?

  — Isso está ficando bizarro, primeiro ele acha que há duas de você, depois ele vê um amigo, morto agora, que conta a ele essa história. Não sei o que está acontecendo. Será que está surtando ou está se sentindo sozinho? Talvez…

  — Andrew, ele só tem seis anos…

  — Eu não ligo mais para isso… Então, por favor. Devemos o observar mais.

  Anna ficou quieta, não estava com forças para conversar no momento.

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  — Está ouvindo isso? — Ela perguntou.

  — Isso o quê?

  — Gritos…

  — De onde vêm?

  — Da praça, de todo o canto dela.

  — Bem, eu vou parar por aqui, não há lugar para estacionar perto da faculdade.

  Logo, um homem veio correndo em direção ao carro, ele era um homem de meia idade com uma grande barba, encontrava-se todo molhado pela chuva. Ele gritava por ajuda. Andrew freiou o carro inesperadamente rápido. Anna voou para frente, mas o cinto a impediu de bater contra o vidro.

  — Anna! Você está bem?!

  Ela sumiu, simplesmente sumiu.

  — Anna! ANNA! Anna, cadê você?!

  — Me ajudem ela está vindo! — Gritava o homem desesperado.

  Andrew saiu do carro.

  — O que está acontecendo?! — Ele gritou.

  — Ela está vindo!… — O homem o agarrou pelos os ombros. Suas últimas palavras foram essas, antes dele desmaiar, seus olhos subiram tanto que ele ficou com os olhos brancos, como se estivera possuído.

  — Senhor! Mas que droga! — Ele arrastava a mão sobre a cabeça, tentando compreender o que estava acontecendo.

  Ele entrou no carro, dizendo a si mesmo que encontraria Anna. O carro não funcionava. Ele tentou e tentou, surtou de raiva e tristeza. Então saiu do carro. O homem havia sumido.

  Ele olhou de um lado para o outro, e tremeu de medo, o desespero permanecerá e junto com a tristeza do sumiço de sua esposa. Foi que ele viu alguém se aproximar, era Kellen.

  — Senhora! Você viu… — Perguntava ele.

  Ela retirou seus óculos, então ele pode ver, seu olho direito era laranja, um laranja bem vivo e luminoso, o outro, porém, era branco e sem vida, parecia vidro no primeiro olhar. Andrew se assustou.

  — Aaaah! Seu olho! — Ele caiu na poça d’água, mas logo perceberá que não era apenas uma poça d’água, mas sim, água transbordada do esgoto.

  — Alguém estava a sua espera, Andrew.

  — Quem… Anna?

  Ele se lembrara do que seu filho lhe disse, sobre Anna está o esperando na praça, mas quem seria essa moça?

  — Sim, ela mesma! — Ela sorriu. — Seu filho deve ter contado sobre mim não é mesmo?

  — Me deixe em paz!

  — Me responda!

  — Sim ele contou, agora eu compreendo tudo. Mas não me leve, por favor!

  — Vamos a um detalhe importante primeiro… Eu coleciono almas, logo, eu tenho controle sobre elas, mas isso só ocorre quando eu as obtenho…

  — Não… Não é verdade. Você não fez!

  — E o que é que eu não faço, Andrew?!

  Ele compreendia tudo agora, a Anna que ele via era um projétil da moça, ela a usou para atrair Andrew.

  — Não… — Ele caiu de joelhos. E começou a chorar, estava na hora.

  — Olhe para mim… Andrew!

  Ele tentou evitar, insistiu e insistiu contra ele mesmo, enquanto tivera a voz e Anna ecoando sua mente. Ele então olhou lentamente para o olho dela e desmaiou.

  — Lady! — Gritou Anna correndo atrás dela.

  — Eu disse para você esperar. — Disse Kellen.

  — Ah, não! — Anna viu o corpo de Andrew jogado no chão. — O que aconteceu?! Lady, o que aconteceu?!

  — Ele morreu Anna.

  — Não! Não! Não!

  Kellen sorriu. Anna se aproximou de Andrew enquanto lágrimas saiam de seus olhos, tentava compreender o que estava acontecendo, o porquê dele morrer.

  — Andrew! Por favor, ABRA OS OLHOS! Não me deixe, não agora! POR FAVOR! — Ela sacudida o corpo enquanto falava cada frase.

  Ela o abraçou e tentava de tudo para tentar acorda-lo, ela desejava que tudo isso fosse um pesadelo ruim; ela queria acorda dele.

  — Andrew…

  Ela berrou e chorou insessatemente.

  — Já terminou… — Lady sussurrou.

  Anna se virou para ela.

  — Vo-você… Est-está sem óculos. — Anna viu os olhos dela. Macabros e pálidos.

  — Você é a última do dia.

  — Me deixe… ME DEIXE! — Ela abraçou Andrew com mais força e tentara o arrastar para o carro.

  Kellen agarrou os pés de Andrew a impedindo de o levar. Anna entrou no carro sem ele e o tentou ligar, mas nada funcionara. Por mais que ela girar-se a chave.

  Kellen apareceu ao lado dela, de joelhos no banco do carro, olhando fixamente para os seus olhos…

• •⊰ 👁 ⊱• •

VI

  Larry estava no quarto de visitas de sua avó, vendo desenho em uma TV antiga, bem antiga, a estática atrapalhava um pouco a resolução, mas ele conseguia ver do mesmo jeito.

  — Quer alguma coisa Larry? — Perguntou sua avó.

  — Biscoitos!

   — Oho! Certo-certo!

  Ela saiu.

  — Hei! — Alguém o chamou atrás dele da porta de onde sua vó saira.

  — Caio! Que bom que voltou!

  Era ele, o garoto que morreu, ele era menor que Larry, porém tinha a mesma idade. Usava seu uniforme escolar.

  — Quero conversar com você. — Disse Larry.

  — Sobre o quê? Não querer mais conversar comigo?

  — Isso mesmo… Não acho isso tão legal como eu achava antes. E também… Você agora é parte dela…

  — Ela vai te achar Larry.

  — Eu posso impedir isso…

  — Mas você não vai…

  — Eu duvido muito.

  — A colecionadora pegará sua alma…

• •⊰ 👁 ⊱• •

VII

  Anna olhou bem no fundo do olho pálido de Kellen, viu então alguém gritar, uma alma presa, ela batia no olho dela como se fosse uma janela de vidro. Anna pode jurar que era seu marido lá dentro. A voz pedira ajuda. A voz clamava por ajuda.

  Ela apenas fechou seus olhos e desmaiou.

  — Ótimo… — Aliviou Kellen em uma respiração pesada. — Foi a última. Sabia que é difícil ficar mentindo desse jeito? — Ela dirá essas palavras para o corpo agora morto. — Dizer que eu apenas posso projetar o espectro de uma pessoa só se eu estiver a alma é uma dose. A verdade é que… Eu apenas olho para elas, tenho a imagem delas, não preciso de suas almas para isso…

  A chuva e a tempestade se cessaram.

“Jornal local — Kay City – 05/13/2017”

“Três pessoas foram encontradas mortas na praça local perto da faculdade de Georgina. O suspeito ainda não foi indentificado e as vítimas não parecem obter qualquer tipo de dano corporal ou feridas profundas. Também não foi confirmado que elas morreram de asfixia. O mistério continua sem resolução. Não é a primeira vez que isso ocorre, meses passados um menino chamado Caio, uma garota chamada Luana é um idoso chamado Leon foram encontrados mortos da mesma maneira, as autoridades pedem que todos fiquem alertas…”

“Dias fortes de chuva. Essa é a previsão para os próximos dias. E todas as mortes ocorrem nesse clima. A polícia suspeita ser um grande assassinato em série e que, o assassino, usa a chuva para se esconder, já que, em tempos assim, ninguém quase não sai de casa. A Investigação continua…”

• •⊰ 👁 ⊱• •

VIII

  No enterro de seus pais, Larry estava entre seus avós, que choravam insessatemente. A tristeza tomava conta do lugar, enquanto o padre rezava por eles.

  Larry apenas o observara os túmulos. Sua avó o abraçou e disse que tudo ia ficar bem e que não precisava chorar.

  — Como?… — Ele perguntou.

  — Vai dar tudo certo, eu juro!

  — Não é isso…

  — Larry, como assim?

  — Como… Ela-está-aqui?

  Ele olhou o horizonte, e viu Lady Kellen escondida entre as árvores, o observando, observando todos. Ela caiu na gargalhada. Risos silenciosos e maliciosos.

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Escrito por Josué D.Schaefer
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Josué D.Schaefer - Clã do Terror - CreepypastaBr

 

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Formado em bacharel em Sistemas de Informação pela Universidade Paulista, João Claudio é um entusiasta em tecnologia, e está sempre investimento em talentos e em novas tecnologias.


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