Preconceito

By on 21 de abril de 2017

creepy

Acusam-me de loucura. Dizem que estou insano, que não há nexo em minhas palavras…me escute você…isso, você…

Eu e meu namorado, como de praxe, andávamos pela avenida da cidade. Sempre de mãos dadas. Nós realmente não nos importávamos com os outros, mesmo com todo o preconceito que transcorre a veia humana. Nada jamais havia nos impedido. Sempre fomos muito felizes…

Naquele dia, porém, notamos duas pessoas que agiram de forma diferente em relação a nós. A primeira era um senhor cujos cabelos grisalhos entregavam sua idade, seu olhar deixava explícito seu caráter duvidoso, encarava-nos de maneira sádica, como se fossemos aberrações. É incrível como encontramos pessoas tão conservadoras e ignorantes nesse mundo. A cerca de três metros de distância, uma segunda pessoa sem muitas características marcantes, após uma longa olhada, começou a nos seguir…

Nós ficamos desesperados, até que ponto chegaria o ódio do humano por outros dois humanos? Apertamos o passo, sem olhar para trás. Faltando apenas dois quarteirões para chegar à nossa casa, deparamo-nos com o homem que estava a nos perseguir, em um baque demos meia volta e contornamos o quarteirão. Como ele nos passara? Na hora o pavor era tanto que nem pensamos direito.

Entramos. Finalmente em casa. ‘Nossa, amor, que susto que aquele cara me deu, graças a Deus, despistamos ele…’, essas palavras, no momento, fizeram-me lembrar que havia um motivo para eu viver: ele, meu namorado, Tom. A única pessoa que sempre estivera a meu lado, até mesmo quando meus pais me abandonaram.

Após ver o singelo sorriso de Tom, podia enfim descansar, relaxar. No entanto tão rápido quanto tinha vindo, todo meu relaxamento desapareceu ao ver uma silhueta alta e robusta atrás de Tom.

Começou a caminhar. Seus passos propagavam ruídos ensurdecedores, visto que este era seu propósito. Escutava trovões vindos lá de fora e comecei a escutar as primeiras – de muitas – gotas d’água. Conforme a silhueta se movia, via uma expressão de horror criar-se no rosto de meu namorado. Tentei reagir, mas, antes, a fina voz do perseguidor me interrompeu. “ Parem! Estou aqui para lhes avisar sobre o…”  Suas palavras foram cortadas por um ruído metálico semelhante ao de um revólver. Era o senhor de cabelo grisalho…

Minhas pupilas se contraíram. Tom exasperou-se e seus gritos ecoavam pela casa.  O homem que antes falava, estava no chão, sua cabeça dava por falta de um pedaço, uma enorme poça escarlate formou-se ao seu redor. Mas o pior era ver meu namorado naquele estado. Seus olhos jorravam lágrimas, seu rosto se contraía em expressões tristes.  O velho desgraçado…ria…

Com o tempo os vizinhos escutariam os gritos estrondosos de Tom – o que realmente aconteceu, porém tarde demais – e aquele ridículo de merda, para silencia-lo, atirou 4 vezes, na minha frente, em seu peito. Pequenas gotículas de sangue foram jorradas em meu rosto, pude ver o sangue criando disformes riscos nas brancas paredes do quarto. Os lindos olhos negros de Tom, que disseminavam vida e louvor, tornaram-se opacos. Era como se tivessem arrancado um pedaço de mim, não conseguia sentir meu coração. Não sabia como reagir perante aquela cena horrorosa. Meu cérebro, congelado. Meus músculos, desligados. Meu coração, morto.

“ Tive que fazer isso, garoto…vocês são uma vergonha para o mundo. Onde já se viu? Homem acasalando com homem…por favor…que nojo. Pediram por essa desgraça.

Deus criou o homem para a mulher e a mulher para o homem. E eu como bom seguidor e crente, acabei de fazer um favor a Deus. De nada. Só tem um problema, tu terás de morrer…não posso simplesmente deixar ‘gentinha’ como você livre por aí. ”

Uma raiva tomou conta de minha cabeça, minha vontade era de partir para cima do canalha que fizera aquilo ao amor de minha vida. Todavia eu estava esgotado, desprovido de forças. Ajoelhei ao lado de Tom…ainda respirava, mesmo que minimamente. Uma pequena ponta de esperança surgiu em meu peito, quando, de repente, senti uma facada em meu ânus. Cai no chão, gemendo de dor. “Para você pagar pelos seus pecados, criança. ” Apesar da dor, ergui-me rapidamente, com muitos esforços e soquei a cara do velho. Ele caiu…

Vi um último suspiro sair da boca de Tom. Seu corpo estava estirado no chão. Seu belo sangue vermelho formara um coração a sua volta, pelo menos em minha mente, como dizem por aí.  Eu via pétalas vermelhas caírem com escritas em branco dizendo: ‘ Eu te amo! ’

O velho já se recompusera, estava de pé, com uma maldita faca e arma em mãos. Havia desistido, nada mais me importava, a única alma que me mantinha inteiro estava morta. Ajoelhei e esperei o tiro. O filho da puta, então, apontou para mim a desgraçada da arma e puxou o gatilho. Um choque metálico foi escutado. Estava sem balas…

Naquele momento, sem pensar muito bem, aproveitei para atacar o merdinha, que matara meu namorado. Soquei-o na barriga, desta forma, fazendo-o largar a faca e a arma. Entretanto logo após esse movimento brusco, a minha ferida repuxou e, consequentemente, cai e urrei de dor. DESGRAÇADO! VELHO DESGRAÇADO! Depois da gafe que o canalha cometera, aquela era minha chance de vingar Tom. Ignorei a dor, levantei e apanhei a faca. Desferi um golpe certeiro em seu pênis, para assim, ele sofrer minimamente o que eu sofri, só que sem o brinquedinho. Girei a faca lentamente, enquanto o assassino gritava, implorava pelo perdão do senhor por ter falhado comigo. Aquilo só aumentou meu ódio, fiz questão, portanto, de enfiar e retirar várias vezes, até que os olhos dele revirassem. Dito e feito. Estava morto.

Os vizinhos ao escutarem toda a confusão, ligaram para a polícia, a qual levou-me e trouxe-me até aqui. Dizem que quando me encontraram estava com um sorriso sádico e libidinoso…, mas…ele tinha matado Tom…sabe…

Choramingos provêm de Heath. Até que se escuta uma resposta.

         – Eu entendo…  – O oficial diz.

         – Finalmente alguém que não duvide de mim…

         – Não, cale a boca, meus amigos estão certo em duvidar de você. Seu mentiroso. Eu entendo o pobre do senhor que pagou pelos seus pecados. – O policial diz começando a se alterar.

          Ele, então, do nada, puxa a arma e disfere um tiro certeiro na cabeça de Heath. Atrás forma-se o desenho de um coração com dentro escrito ‘ Tom ‘…

          Gotas começam a cair tal como naquela noite, só que era uma chuva de sangue que resguardava os pensamentos de Heath e sua última lamentação.

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*Nota do autor:  Quis com este post relatar um pouco da realidade, no entanto de maneira mais obscura, uma vez que sou escritor de contos de terror. Infelizmente isto realmente acontece em nosso mundo, há diversas pessoas que são capazes de cometer tal atrocidade. Mais respeito é tudo o que eu peço. Jamais sejam preconceituosos! Todos têm o direito de ser eles mesmos e, acima de tudo, felizes. Deixo aqui neste conto, minhas lamentações sobre esta dura verdade.

#GayProud


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