Sofrimento

By on 24 de março de 2017

creepy“Chegamos…” essa palavra bate incessantemente em minha cabeça. O silêncio choca-se contra meus tímpanos ensurdecendo-me. Meus olhos mal mantem-se abertos. Meu corpo já não me obedece mais. Sinto a energia me abandonando, toda a vitalidade que antes habitava meu corpo, agora está esparramada por este breu comumente chamado de consciência. Agradecerei a Deus eternamente por, neste momento, estar morrendo lentamente, afogado em minhas próprias mágoas e sangue…

Uma semana atrás, mudei-me junto de meu namorado, Ryan, para este sobrado, o qual pertenceu ao meu falecido avô. Há tempos que eu não falava com ele, andava muito ocupado com minha faculdade e relacionamento.

Por infelicidade do destino, ele partiu e foi de uma forma extremante dolorosa. Sempre teve um gosto peculiar e por ser extremamente endinheirado sempre obteve tudo que desejava. No dia de sua morte estava no segundo andar, que possui um extenso corredor. Esse corredor, por sua vez, detém uma larga extensão, que, em seu final, há grades, para assim impedir a queda do segundo andar para o primeiro – inútil. Passo após passo, assim se locomovia. Quando, de repente, em um baque, caiu do segundo andar –  não se sabe como – e, ao invés, de deparar-se com o chão, deparou-se com um objeto cuja extremidade superior era extremamente pontiaguda. O objeto perfurou seu pulmão direito, fazendo-o expelir sangue pela boca e, consequentemente, morrer afogado no mesmo belo líquido vermelho que, antes, permitia-lhe viver. Devido à baixa resistência, morreu. Como eu havia dito: “destino”.

Por conta da macabra história que resguarda este local, ninguém da família quis se apossar dele, mas como se localiza em uma ótima região e facilita minha ida a faculdade, não pensei duas vezes em mudar-me.

– Chegamos…

Foram exatamente essas palavras que foram ditas por meu namorado. Ele estava encantado. Seus belos olhos azuis cintilavam felicidade e alegria. Apenas sorri de volta para ele, queria economizar palavras, visto que eu estava morto de sede. Fui até à cozinha.

– Chegamos…Bem-vindo…

Dei um salto para trás e em uma tentativa de defesa levantei meus braços e fechei meus punhos. Logo, indaguei-o:

– Quem é você? Fora da minha casa!

– Eu era o mordomo de seu avô. – Disse de maneira calma e tranquila.

Um pouco relutante, mas mais calmo eu perguntei:

– Qual era o nome completo dele?

– Adailton José Junior, senhor.

Convencido, eu me apresentei e pedi para que se apresentasse para meu namorado, mas ele negou, dizendo estar com pressa, pois tinha vindo apenas para ficarmos cientes de sua presença. Por hora, eu realmente não me importava, afinal de contas meu avô era rico, podia muito bem ter um mordomo. Nada comentei com Ryan.

Passaram-se uns dias e todas manhã havia café pronto na mesa. Só podia ser o mordomo, eu acordava, ia para a mesa, comia e via pratos lavados, provavelmente anteriormente utilizados por Ryan. Era praxe todo dia ele acordar mais cedo. Minha faculdade começava às 8:00, já o emprego de Ryan às 6:30. Rotina.

Certo dia, houve uma quebra desse padrão, eram 7:00 e Ryan estava na mesa.

– Ryan? Você por aqui?

– Sim, meu amor. Hoje pedi folga e decidi, também, te agradecer por todos esses cafés da manhã maravilhosos que você tem feito pra mim todo dia.

– Eu? Mas não sou eu quem faço. É o mordomo.

– Que mordomo?

– O que está bem ali na pia.

– Amor, você está bem?

Deste momento só me lembro de ter visto, de relance, os olhos do mordomo ficarem escarlates e um sorriso abrir-se em seu rosto. Depois, a escuridão tapou minha visão. Cai. Desmaiei.

Quando acordei, a cozinha estava uma bagunça. Havia sangue por todo lado… Pus-me a chorar ao ver a cabeça de Ryan decapitada em cima da mesa, sorrindo, encarando-me. Seus belos olhos azuis agora estavam opacos, ausentes de vida. Seus membros estavam espalhados pelo cômodo. Os braços, presos ao ventilador que girava lentamente, de quando em vez respingando sangue no teto. Suas pernas, sobre a pia. Seu tronco posava em um canto da parede sem camisa com um enorme rasgo no abdômen. Não conseguia acreditar que estava morto.

Com meus olhos ainda marejados, pude ver na parede algo que eu não tinha notado ainda:

      “Você me abandonou, você me deixou…”

Logo após isso, escutei uma voz:

– Chegamos…ao seu inferno…

Era o mordomo.

Por um breve momento cambaleei para trás, quase caindo. Minhas pupilas contraíram-se. Vi em um flash a minha imagem…empurrando meu avô do segundo andar.

– Sim, você matou seu avô.

– Mas como?

– Simples, eu sou um demônio. O demônio do sofrimento. Por conta das mágoas de seu avô, ele me invocou com um único pedido. “Mate-me, mas, em contrapartida, faça meu neto sofrer. Ele me abandonou, ele me deixou.” Sou um demônio que quando invocado por sentimento profundo, de preferência sombrio, aproveito-me dos demais. Consigo levar mais almas comigo. Vocês, humanos, são muito ingênuos. São lixos. Aliás não deveria estar te dando tais satisfações…

– Mas…Mas…

Eu não era capaz de falar. Estava paralisado. Calafrios percorriam meu corpo. Desejava morrer. No exato momento em que pensei isso, minha garganta foi cortada e meu desejo realizado.

Agradecerei a Deus eternamente por, neste momento, estar morrendo lentamente, afogado em minhas próprias mágoas e sangue…

Meus pensamentos são subitamente interrompidos.

– Esperança é esperar. ESPERA-SE EM VIDA, ESPERA-SE EM MORTE.

Começo a ficar tonto, todo meu mundo começa a girar. Minha visão embaça-se

– O sofrimento faz parte da vida. No seu caso, da morte também.

Escutam-se risos ecoarem pelo cômodo e vê-se os olhos de Jake fecharem-se lentamente…

O sofrimento se apodera da alma dos covardes…


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