ECOS

By on 22 de fevereiro de 2017

creepy

Sons. Escuto passos. Ecos. Alguém está me seguindo. Isso me assusta, mas ao mesmo tempo faz-me lembrar que não estou sozinho no mundo; algumas vezes gosto de me imaginar sozinho, inerte, intocável.

Ando pelas escuras ruas de meu bairro, um ar gélido choca-se contra minha nuca fazendo arrepios percorrem meu corpo inteiro. As estradas são estreitas e mal iluminadas por aqui, por conta disso são facilmente confundíveis, até mesmo eu que moro aqui há anos me perco, como é o caso agora. Tinha ido à casa de um amigo, porém ele não se encontrava lá; não mais.

A escuridão predomina nas ruas do Bairro Hill’s.

Viro minha cabeça poucos graus para a direita, no escuro é praticamente imperceptível tal mudança. Graças a minha visão periférica aguçada sou capaz de ver, mesmo que de relance, uma fraca sombra produzida pela luz do luar. Está próxima. Acelero meus passos.

Um sentimento de pavor me deixa inquieto, mas ao mesmo tempo me dá um súbito prazer, afinal isso quer dizer que eu não fui esquecido, alguém ainda se lembra de mim. Adrenalina e regozijo se apoderam de meu corpo.

Somente para me certificar, decido correr, desta maneira, estaria certo de que há alguém nas minhas costas. Corro incessantemente durante três minutos, os passos que antes ecoavam atrás de mim, agora estão calados. O silêncio prevalece aos ruídos noturnos, meus ouvidos sentem-se ligeiramente incomodados em relação a isso. Caminho até o beco mais próximo e me sento. Suor escorre de minha testa e axilas. Aquela corridinha foi o suficiente para exaurir-me. Já fiz tanta coisa numa única noite, tenho direito a descanso.

O silêncio é quebrado por um ruído seco e em uma onda dor meu braço se retrai. Havia um prego em meus bíceps. Tento puxá-lo, ainda com dor, todavia sou impedido por outro prego que passa de raspão em minha orelha. Seria o perseguidor? Meus tímpanos captam mais dois sons metálicos, eu abaixo, e dois pregos formam rachaduras nas desgastadas paredes do beco. Corro. Saio do beco. Entro em um antigo prédio que hoje está desativado.

É um lugar cujo aspecto não é nada agradável. O cheiro de mofo reina nos ares, fazendo-me neste momento optar por não ter narinas. Meu braço lateja. Um velho balcão se encontra bem no centro do espaço. Procuro por medicamentos, faixas de gaza, qualquer coisa que alivie minha dor, porém nada acho. Merda!

Enquanto estou agachado procurando por remédios em potencial, algo frio e pontiagudo toca minhas costas, rasgando minha camiseta.

-Te achei, seu bastardo! – Uma voz grossa e fanha fala em meu ouvido esquerdo em um tom rude. Provavelmente um homem.

Levanto-me lentamente e questiono-o:

-O que você quer?

-Vingança!

Coloco todas minhas forças em meu cotovelo e o arremesso para trás, acertando em cheio o abdômen do homem. Ele derruba a faca e começa a tossir. Cai de joelhos. Eu, então, em um rápido movimento pego a faca e a deslizo na face do estranho, quase que o cego. Uma marca permanente se instala em sua testa.

Espera. Eu conheço esse cara ele é um policial, ou melhor, era. Ele ficou tão obcecado com a morte de suas esposas e filha que acabou se autodestruindo. Lembro-me bem dele. Matei suas esposas e filha enquanto estava bêbado. Bem feito! Foi merecido. Às vezes as pessoas só dão valor umas às outras quando uma delas partem.

Foi uma cena maravilhosa, o sangue da esposa desenhou um arco perfeito no teto da casa. O da filha, por sua vez, fez uma reta contínua, de quando em vez respingando as bordas. Suas gargantas expeliam um líquido vermelho como uma bela fonte d’água. As imagens circulam nítidas em minha mente. Vermelho a cor da Paixão.

Depois deste meu breve momento nostalgia, recomponho-me, e desfiro outro golpe no ex-policial, só que desta vez, mortal. Rasgo uma de suas artérias, com tanta experiência já sei onde todas se localizam. Quero que ele morra, só que não agora. Caso ele não receba atendimentos médicos urgentes em pouco tempo, morrerá. Só quero lhe falar umas coisas antes.

-Você perdeu, ex-policial…de novo. Nem foi tão divertido assim. Aqueles pregos foram uma boa ideia, mas não foi o suficiente para me matar. Agora você vai se juntar a vaca da sua esposa e a estúpida da sua filha. Boa noite…

Encravo a faca no pulso do sujeito, quase separando-o do resto do corpo.

Caminho lentamente em direção à saída do prédio e viro-me a fim de tirar satisfações, quando, de repente, três ruídos são propagados no ar. Três. Três pregos se alojam em minha barriga. Vomito um pouco de sangue e rio, pois estou satisfeito. Minha vida está um tédio mesmo. Não tenho ninguém no mundo. Estou cansado. Exausto. Neste exato momento estou fitando o corpo sem vida do fracassado policial cujas mãos seguram um disparador de pregos. Otário!

Vida e morte, a isso que nós nos resumimos. Felizmente, no meu caso.

Com muita força consigo andar, respiro ofegantemente, mas nada demais. Caminho na direção da luz…

 


 Otávio Ω 


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