Entidades

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Por em 28 de janeiro de 2017

creepy

 

– Você sabe MUITO bem que eu não concordo com esta mudança… – diz Regina irritada.
– Calma, meu amor… É pro nosso bem. – Afirma Alex com um tom doce em sua voz. – Acha que eu seria capaz de nos prejudicar?
– Não… Mas eu não queria largar tudo para trás.
– Vai dar tudo certo…
Passam-se dois dias. Tudo que se encontrava dentro de caixas, agora, está em seu devido lugar na nova residência dos Morgan’s. É a casa ideal para um casal, possui dois quartos, uma cozinha, uma sala de estar, uma sala de jantar e dois banheiros. Localiza-se em um bairro tranquilo, no qual a taxa de criminalidade é praticamente zero. A tintura da casa aparentava nova, possui cerca de três anos. Em suma, um local simples e bom.
Alex era escritor, gostava de anotar suas experiências e a partir delas criar livros. Regina, produtora, produzia filmes e curtas; muito bem sucedida.
– E aí? Como foi seu primeiro dia de trabalho? – pergunta Alex ansioso pela resposta.
– Quer que eu seja sincera? – Regina diz transbordando mágoa – Uma droga! Todos aqui neste fim de mundo são uns idiotas, metidinhos. Que ódio!
– Oh, meu bem… O que aconteceu pra te deixar assim?
– O pessoal da produtora me esnobou, todos se acham melhor que eu, só porque sou mulher. – Ela contava enquanto estava apoiada nos ombros de Alex, aos prantos.
– Eu vou lá conversar com eles!
– Conversar?! – Exclamou Regina se afastando de Alex e o empurrando. – Você vai ficar bem aqui! Nós nunca deveríamos ter nos mudado. Eu te odeio, Alex! – Regina grita exalando raiva de seus olhos.
Alex fica perplexo, nunca vira sua esposa naquela estado. Uma nuvem de emoções o invade, não sabe exatamente o que está a acontecer. Seus olhos marejam, mas
logo voltam ao seu brilho natural. Decide não se envolver, era crente de que era uma situação efêmera.
Uma semana se passa e nada muda. Regina continuava a mandar olhares de relance furiosos, isto quando mandava. Alex, cansado deste comportamento infantil, decide questioná-la. Porém enquanto andava um frio lhe percorre a espinha, fazendo-o cair instantaneamente. Desmaiou.
Acordou em sua cama. Seus membros doíam. Parecia que fora atropelado por milhões de escavadeiras. Um simples movimento, parecia impossível de ser realizado. Seus olhos mal conseguiam se manter abertos, suas pálpebras impediam tal primor.
– Melhorou, meu bem? – Uma voz sutil ecoou em sua orelha esquerda.
– Sim. – Escutou-se de uma voz fanha e rasgada.
– Shhhh… Poupe suas energias. Não pense que as coisas melhoraram entre a gente. Eu só não podia te deixar para morrer.
Uma súbita tristeza invadiu Alex. Agora, finalmente, suas esperanças haviam morrido.
– Por que você é tão dura comigo? – Indagou
– Só porque você destruiu minha vida.
Alex revirou os olhos e decidiu deixar o assunto de lado.
No dia seguinte, durante a noite, Alex está lendo um livro na sala, a qual está a ser iluminada pela luz de um abajur. Não havia mais luzes acesas na casa. Exausto, Alex fecha o livro e, antes de dormir, vai a cozinha pegar um copo d’água. Escuta-se um rangido metálico; a faca caíra.
– Como que caiu essa faca? – Pondera Alex.
Dá de ombros. No momento isto realmente não lhe importava. Agacha para pegar a faca, quando, de repente, sente uma dor que lhe percorre o ombro. Uma outra faca havia caído, só que, desta vez, em seu ombro. Puxa-a. Faz um curativo no local atingido.
Durante a mesma noite, enquanto dormia, sente a estranha sensação de que havia alguém o observando. Abre levemente o olho e fita a porta. Tinha uma silhueta distorcida que parecia estar olhando em sua direção. O observava incessantemente. Assustado tenta, mesmo que de relance, ver quem estava o mirando. Era uma figura preta cujos olhos exalavam uma cor branca, trajava um vestido preto tal qual sua cor. Seus cabelos, brancos. Uma face murcha, ossuda, na qual se era possível diferenciar perfeitamente uma feição da outra.
Alex ficou com o coração a mil. O que era aquela criatura? Parecia que ela lera sue mente, no exato momento em que pensou isso, o ser começou a fazer símbolos estranhos com as mãos e, do nada, desapareceu.
A semana que então se passou, foi gasta com pensamentos de Alex. Continuava a ver a mesma entidade, sempre realizando os mesmos símbolos com as mãos. Estupefato, toma uma decisão. Liga para uma universidade próxima a procura de um especialista sobre mitologia, espiritualismo, áreas do gênero. Acha um professor. O professor Henrique D’avilla.
Assim que anota o contato do tal professor, o computador estoura a tela, fazendo inúmeros cacos de vidro acertarem o rosto Alex. Por sorte, nenhum pegou em seu olho. Vai para o hospital, onde é socorrido. Liga para Regina, para a contar o ocorrido. Caixa postal. Liga novamente. Caixa postal. Mais uma vez. Caixa postal. Desiste por ora.
Ao anoitecer, Regina não chegara em casa. Ainda estavam brigados. Torna a ligar. Caixa postal. Já era passado das 2:00. Uma vez que se bateu 3:00, alguém bate na porta. Eram dois policiais civis.
– Boa noite, Senhor. – Dizem ambos policiais simultaneamente.
– Boa noite.
– Infelizmente lhe trazemos más notícias. Sua esposa veio a falecer em um acidente de trânsito. Ela perdeu o controle do carro o qual acabou por se chocar contra um caminhão. Sentimos muito.
Alex, sem palavras, fecha a porta sem sequer dar satisfações aos policiais. Caminha lentamente até o sofá com uma expressão nula. Seus olhos estão estáticos, suas pupilas, contraídas. Senta. Lágrimas começam a escorrer pelo seu rosto, até que se entrega por inteiro. Cai de joelhos e põe-se a chorar. Porém é interrompido por uma dor estonteante que o faz desmaiar.
Acorda. Ao abrir os olhos fica chocado. Sua casa estava revirada, o sofá que antes estava no cetro da sala, agora estava na extremidade direita do cômodo. A estante, caída. Os objetos encontravam-se todos espalhados pelo chão. Alex nunca sentira tanto desgosto de uma vez só. Neste momento desejaria não existir.
Duas semanas se vão. Todas as pendências da morte de Regina são resolvidas. A casa não fora assaltada, pois Alex verificou se sentia falta de algo, nada havia desaparecido. A casa só havia sido revirada. Foi uma semana de pura dor de cabeça.
Somente após ter tudo resolvido, Alex se lembra do contato do Professor. Liga para ele.
– Alô? – diz uma voz do outro lado do telefone.
– É o professor Henrique D’avilla?
– Sim. Quem fala?
– Alex. Eu gostaria que o senhor viesse aqui em casa, para me esclarecer algumas coisas. Te mando o endereço por E-mail.
– Claro, claro.
O professor chega.
– Bom, o que o senhor queria?
– Eu quero que você faça uma inspeção em minha casa e me diga se há alguma presença sobrenatural, ao seu ver.
– Ok.
Henrique começa a andar pela casa, senti-la. Faz diversos símbolos por ela. Senta em um local aleatório e fica lá por cerca de meia hora. Um tempo depois levanta-se e faz um símbolo estranho no meio da sala. Começa a recitar palavras e se é possível ver uma sombra presente onde parece ser o centro do símbolo.
Com o tempo, torna-se nítida, era a mesma que via de praxe em seu quarto.
– Esta é a entidade que estava presa em sua residência. – Inicia o professor.
– Tem como expulsa-la?
– Até tem, mas é algo mais complexo. Você terá que procurar um exorcista. O que eu posso fazer é deixá-la inábil por um tempo, até você encontrar alguém para expulsa-la.
– Faça isso.
Dito e feito. Henrique se despede e vai embora. Alex fica o observando pela janela, até que chegasse em seu carro que se encontrava do outro lado da rua. Enquanto Henrique atravessava a rua, um carro passa por ele. Henrique estava envolto de uma poça de seu próprio sangue, estirado no chão. Ao ver essa cena, Alex fica aterrorizado, no entanto não tarda muito para Alex apagar também. O lustre da sala cai sobre ele.
Alex é acordado por um pequeno menino de olhos pretos.
– Olá! – exclama o garoto.
– Quem é você?
– Sou a discórdia.
– É quem?
– Eu sou aquele que nasceu a partir do ódio de sua relação; eu sou aquele que irá te matar; sou aquele que irá te acompanhar até o inferno.
– Mas e o espírito que expulsamos?
– Vocês são muito idiotas. – A criança começa a rir. – aquele era o consonância. Ele estava tentando de avisar sobre mim. Ele impedia que eu me materializasse, mas como vocês o inutilizaram, eu estou aqui. Incompetentes.
As luzes começam a piscar, os móveis começam a tremer, tudo a volta de Alex vira fogo. Sua casa está em chamas.
– Mas vocês são uns incompetentes mesmo. Nem pra espantar um espírito servem. O consonância voltou e dessa vez, furioso.
Cinco facas começam a circular Alex. Uma por uma é atirada. A primeira o acerta na perna. A segunda seu ombro, o qual já fora acertado uma vez. A terceira e a quarta seu abdômen. A última sua mão direita.
Alex estava a beira da morte, quando escuta o discórdia sussurrar em seu ouvido.
– Os piores espíritos nascem a partir de emoções humanas, daquelas que prevalecem no coração das pessoas, dos incapazes de lidar com elas. Vocês, os que possuem uma alma frágil.
Os últimos momentos de vida de Alex estavam correndo. A única coisa na qual pensava era que todos a sua volta morreram, por sua culpa, por sua incapacidade. Merecia morrer. Fechou os olhos e nunca mais tornou a abri-los.


Ω Autor Ω


  • d680f455-f399-4543-b1f4-4313e075a411Nome: Otávio Osaki

  • Idade: 14 anos

  • Estado: São Paulo

  • Instagram: @Otávio.Osaki 

 


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